quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Calabouço

Um vão.
Passado um ano da sua partida, tudo o que ficou foi um vão, um vazio no tempo-espaço, no qual permaneci ali, parada, prisioneira do meu próprio calabouço.
Voltei ao 'era uma vez', mas dessa vez não era uma princesa num castelo à espera de um príncipe a desperta-la, é uma mulher, que após um rompante da realidade, se viu à parte do seu irmão querido, fim de um elo exitencial.
Tamanha dor colocou a mulher desta minha história, cara a cara com seu calabouço ou melhor o calabouço de todos nós: a morte. Sem explicação.
Sem dar-me conta a mulher que sou permanceu lá prisioneira das saudades e passado um ano, nada edifiquei, um objetivo sequer, nenhum planejamento, apenas a continuidade mecaniscita, o fazer por fazer um sentir mais uma vez sem compreensão.
O tempo passou não houve sono letargico como no conto da Bela Adormecida, mas ainda assim o tempo parou.
Não foi a chegada de um príncipe que despertou a mulher, este é um conto real e não um conto de fadas.
Nesta história real, a mulher que sou deparou-se com a repetição de determinados momentos, choros, dores, saudades. É hora de enfrentar o luto e tal qual uma caixa de pandora, com o luto vieram à tona tantos outros sentimentos.
Não foi a morte, a perda, as saudades que colocaram a mulher que sou ali.
Foram as crenças, os comportamentos, uma cegueria de si.


Eu sempre estive, ali, mas só agora percebi.


Aquele dia olhei, foi pela dor que me vi e se agora a mulher da história tenta se organizar, mais uma vez agradeço ao amigo-irmão que não está mais presente em matéria, mas sim em impressão, sentimento, emoção a me estimular a escrever um conto, minha história de amadurecimento e compreensão da vida que sou.


E como termina a história?


No fundo da caixa ficou a esperança, aquele sentimento bonito que nos faz acordar e procurar um sentido à vida.


Se a mulher será feliz para sempre?


Este é um conto real, e cada dia é uma nova construção.



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