O ser humano vive de padrões.
Alguns nos ajudam na continuidade, na sobrevivência dessa vida severina ou vida de gado como preferirem. seguimos padrões de ética, de moral, de reprodução, de sustentabilidade.
Outros só nos fazem permanecer nessa desgraceira de sentimentos desgranhados que incomodam e nos fazem perder o sono.
Certos padrões nós conseguimos substituir, como no filme MATRIX - aquele sistema não serve mais e então o indivíduo parte pra outro, outra matrix mais aprimorada - que tenha mais sintonia com a realidade e progressividade do Ser.
O que eu quero dizer hoje, apesar de toda a filosofia barata que me é peculiar, é que estou emputecida comigo, com esse sentimento doente que tenho de POSSE.
A posse é uma merda.
O passado já ficou no passado, aliás todos os passados, mas euzinha continuo, somando seres, coisas e fatos. Não transcendo e, nesse aspecto, sinto que tudo é meu. Até o que nunca foi.
Às vezes acho que passou, mas aí recebo um mínimo estímulo, uma cutucadinha do destino e lá esta ela, A POSSE, me dizendo que apesar de tanta vida presente e tantas perspectivas futuras eu ainda me sinto dona de um passado que me assombra, me ofende, me subjuga, me incomoda.
Então passo a noite com essa raiva de mim, do mundo, dos meus padrões.
Tantos mergulhos e ainda não troquei a posse por outro padrão. Podia ser qualquer outro, mesmo que seja um ruim também, sei lá. Podia ser a vingança, pelo menos eu pegaria o passado dava uma lição nele e jogava fora, cansa querer ser dona do mundo e não ser dona nem dos próprios pensamentos.
Acho que hoje vou pro bar, assim liberto a consciência e quem sabe a posse.
É isso.
"Eu não sou seu, eu não sou de ninguém, você não é minha, eu não tenho ninguém, nós somos livres independentes futebol clube. Se a gente ta assim comendo capim, é porque a gente quer e se não quiser, nós somos livres" (Ultraje a Rigor)

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