Fato: cumprir os mesmos padrões dia após dia pode ser prejudicial a saúde, principalmente a saúde psíquica.
Contemos a história.
Todos os dias eu fazia tudo exatamente igual (sem plagiar Chico) era igual mesmo.
Acordava às sete horas da manhã, vestia o traje forense e rumo ao trabalho.
Todos os dias estacionava o carro no mesmo local: uma quadra do trabalho, ao lado direito da avenida pra quem sobe rumo ao bairro, longe do setor dos alagamentos, dentro do campo de visão do posto policial que ficava ao lado do escritório.
Ali o carro permanecia o dia todo, pois no horário de almoço eu caminhava até o restaurante mais próximo (sempre o mesmo).
Ao final da tarde, eu passava pelo posto policial, cumprimentava o "guarda" de plantão e entrava no carro rumo ao meu lar, nem tão doce lar assim à época.
Pois bem, certo dia o mesmo padrão foi cumprido, e qual não foi o meu desespero quando ao final da tarde, não encontrei o meu carro naquela mesma vaga, naquele mesmo local.
Desesperada desatei a chorar, corri até o posto policial e já à beira de um ataque de nervos informei ao "guarda" - colega de cumprimentos diários - que meu carro havia sido furtado.
Ali permaneci chorando copiosamente, enquanto vários policiais eram acionados para vasculhar a área a procura de pistas sobre o meu carro.
Já haviam informado via radio as viaturas nos limites da cidade, já haviam mobilizado a estrutura policial dos arredores, quando um dos policiais que eu sempre cumprimentava, me chamou num canto e perguntou:
- Senhortia, seu carro é um corsa branco placa XX?
Eu respondi aos prantos:
- Siiiimmm!
E ele me respondeu:
- Seu carro está estacionado na quadra de cima, incólume!
Ele me olhou com cara de "você é uma louca", riu e passou uma daquelas siglas tipo QAP alarme falso, cancelando as diligências.
Contemos a história.
Todos os dias eu fazia tudo exatamente igual (sem plagiar Chico) era igual mesmo.
Acordava às sete horas da manhã, vestia o traje forense e rumo ao trabalho.
Todos os dias estacionava o carro no mesmo local: uma quadra do trabalho, ao lado direito da avenida pra quem sobe rumo ao bairro, longe do setor dos alagamentos, dentro do campo de visão do posto policial que ficava ao lado do escritório.
Ali o carro permanecia o dia todo, pois no horário de almoço eu caminhava até o restaurante mais próximo (sempre o mesmo).
Ao final da tarde, eu passava pelo posto policial, cumprimentava o "guarda" de plantão e entrava no carro rumo ao meu lar, nem tão doce lar assim à época.
Pois bem, certo dia o mesmo padrão foi cumprido, e qual não foi o meu desespero quando ao final da tarde, não encontrei o meu carro naquela mesma vaga, naquele mesmo local.
Desesperada desatei a chorar, corri até o posto policial e já à beira de um ataque de nervos informei ao "guarda" - colega de cumprimentos diários - que meu carro havia sido furtado.
Ali permaneci chorando copiosamente, enquanto vários policiais eram acionados para vasculhar a área a procura de pistas sobre o meu carro.
Já haviam informado via radio as viaturas nos limites da cidade, já haviam mobilizado a estrutura policial dos arredores, quando um dos policiais que eu sempre cumprimentava, me chamou num canto e perguntou:
- Senhortia, seu carro é um corsa branco placa XX?
Eu respondi aos prantos:
- Siiiimmm!
E ele me respondeu:
- Seu carro está estacionado na quadra de cima, incólume!
Ele me olhou com cara de "você é uma louca", riu e passou uma daquelas siglas tipo QAP alarme falso, cancelando as diligências.
Virei motivo de piadas no posto policial. Todos sem exceção começaram a debochar do meu desespero.
Eu quase morri de vergonha, depois de todo aquele show, era apenas distração, quebra da rotina que me deixou totalmente sem chão.
Após aquele fato, não houve um dia sequer em que o "guarda" não tenha me cumprimentado com um sorriso sarcástico e me perguntado "onde está o corsa?"
E eu com aquele sorriso patético, apontava o carro.
Pois é como diz Clarice Lispector: MUDE.
Eu quase morri de vergonha, depois de todo aquele show, era apenas distração, quebra da rotina que me deixou totalmente sem chão.
Após aquele fato, não houve um dia sequer em que o "guarda" não tenha me cumprimentado com um sorriso sarcástico e me perguntado "onde está o corsa?"
E eu com aquele sorriso patético, apontava o carro.
Pois é como diz Clarice Lispector: MUDE.

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Depois de ler meus devaneios, 'bora filosofar comigo!